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Bolsa cai 18,12% após reeleição de Lula e dólar chega a R$ 5,44

Ibovespa teve a quinta maior queda semanal desde o Plano Real; analistas projetam riscos para crescimento, inflação e investimentos em 2027

Redação SM Agora5 min de leituraWhatsAppFacebook
Imagem ilustrativa de cédulas de real e dólar ao lado de uma calculadora, representando os efeitos do câmbio e da turbulência no mercado financeiroImagem meramente ilustrativa
Imagem ilustrativa de cédulas de real e dólar ao lado de uma calculadora, representando os efeitos do câmbio e da turbulência no mercado financeiro · Imagem meramente ilustrativa

O mercado financeiro reagiu com forte queda à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na primeira semana de negociações após o segundo turno, o Ibovespa recuou 18,12%, enquanto o dólar comercial subiu 9,03%, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta citado pelo Poder360. O resultado colocou a semana entre as cinco piores da Bolsa brasileira desde o início do Plano Real, em julho de 1994.

A turbulência também atingiu as expectativas para a economia de 2027. Analistas ouvidos pelo Poder360 afirmam que a combinação de juros futuros elevados, câmbio depreciado e incerteza sobre as contas públicas pode reduzir investimentos, pressionar a inflação e limitar o crescimento. Para quem vive em Santa Maria, os efeitos tendem a aparecer principalmente no custo do crédito, no preço de produtos importados e nas decisões de empresas sobre compras, expansão e contratação.

Bolsa perde mais de 37 mil pontos em uma semana

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (30 de outubro de 2026) aos 167.921,80 pontos, com baixa de 0,75% em relação ao pregão anterior. No fechamento, o dólar comercial valia R$ 5,444, depois de avançar 1,05% no dia, conforme os dados apresentados pelo Poder360.

Na comparação com a sexta-feira anterior, 23 de outubro, último pregão antes do segundo turno, o principal índice da B3 perdeu 37.160,76 pontos. A moeda norte-americana passou de R$ 4,9931 para R$ 5,444 no mesmo intervalo.

O movimento mais intenso ocorreu na segunda-feira (26), primeiro dia de negócios após a confirmação da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). Naquele pregão, o Ibovespa despencou 13,88% e o dólar avançou 8,21%. Ainda de acordo com o Poder360, a Bolsa fechou em queda nos cinco dias de negociação posteriores à eleição, enquanto o dólar permaneceu acima de R$ 5,30.

A perda semanal ficou apenas 0,76 ponto percentual abaixo da registrada em março de 2020, no início da pandemia. A comparação serve para dimensionar a intensidade da reação, mas os episódios têm causas e consequências diferentes, segundo a análise apresentada na reportagem.

Investidores revisaram apostas para a política econômica

A consultoria Elos Ayta avaliou que parte dos investidores havia ajustado os preços dos ativos com base na expectativa de uma mudança na condução da política econômica. A reeleição de Lula contrariou essa aposta e provocou uma correção nos mercados, acompanhada por uma percepção maior de risco fiscal.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a movimentação como uma correção de posições. Segundo a declaração reproduzida pelo Poder360, os investidores haviam considerado mais provável a vitória de Flávio Bolsonaro, e o resultado das urnas alterou rapidamente as posições financeiras.

Na prática, a revisão afeta o valor das ações, a cotação do dólar e as taxas cobradas em operações de prazo mais longo. O chamado risco fiscal está relacionado à avaliação sobre a capacidade do governo de equilibrar receitas, despesas e dívida pública. Quanto maior a desconfiança, maior tende a ser a remuneração exigida pelos investidores para financiar o governo e as empresas.

Juros e dólar podem afetar empresas e consumidores

O cenário projetado para 2027 é sensível porque o Boletim Focus indicava, antes da votação, crescimento de 1,31% para o Produto Interno Bruto (PIB), conforme levantamento citado por Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest. O PIB mede o conjunto de bens e serviços produzidos no país.

A manutenção dos juros futuros de longo prazo acima de 15% e do dólar próximo de R$ 5,35 tende a encarecer financiamentos, máquinas e insumos importados. Para empresas, isso pode significar adiamento de investimentos e de projetos de expansão. Para consumidores, taxas maiores podem dificultar empréstimos, compras parceladas e financiamentos.

André Matos, CEO da MA7 Capital, estimou que o investimento produtivo poderia crescer entre 0% e 1% em 2027 ou até recuar se a incerteza continuar. Na avaliação dele, o crescimento econômico anteriormente projetado em 1,3% poderia ficar abaixo de 1%.

Esse efeito pode alcançar a economia local por diferentes caminhos. Empresas que dependem de equipamentos, peças ou matérias-primas estrangeiras enfrentam custos maiores quando o real perde valor. A alta dos juros também encarece o capital necessário para manter operações, modernizar instalações ou ampliar atividades. O material do Poder360 não informa empresas específicas de Santa Maria que já tenham alterado planos por causa da turbulência.

Câmbio traz risco adicional para a inflação

A desvalorização persistente do real também pode pressionar os preços. Segundo Matos, o câmbio poderia acrescentar entre 0,4 e 0,8 ponto percentual ao IPCA de 2027. O IPCA é o índice usado para acompanhar a inflação oficial das famílias brasileiras.

André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, estimou que a piora das condições financeiras poderia retirar de 0,3 a 0,6 ponto percentual do crescimento do PIB. Em um cenário de câmbio depreciado por mais tempo, a inflação acumulada até 2028 poderia receber acréscimo de 0,3 a 0,7 ponto percentual.

As estimativas são condicionais. Elas dependem da permanência das condições financeiras adversas e não representam resultados já observados. Também não são projeções oficiais do governo nem do Banco Central.

Contas públicas serão foco do novo mandato

A recuperação da confiança dependerá das medidas econômicas adotadas pelo governo no novo mandato. A principal preocupação apontada na reportagem é a capacidade de estabilizar a dívida pública e apresentar uma trajetória considerada sustentável para as contas do país.

Juros altos aumentam o custo de financiamento do Tesouro Nacional e das empresas. Ao mesmo tempo, reduzem o espaço para consumo e investimentos. Entre as medidas defendidas por representantes do mercado estão a revisão de despesas obrigatórias, a redução de benefícios tributários e a preservação de investimentos públicos com maior retorno econômico.

Matos defende uma melhora do resultado primário equivalente a 0,5 ponto percentual do PIB por ano. Caruso considera necessário um ajuste de 1 a 1,5 ponto percentual do PIB ao longo de dois a três anos. O resultado primário corresponde ao saldo das contas do governo antes do pagamento dos juros da dívida.

Na avaliação dos analistas, um programa fiscal considerado confiável poderia reduzir o prêmio de risco, favorecer a valorização do real e abrir espaço para uma futura queda dos juros. Sem essa sinalização, a instabilidade dos mercados pode se tornar mais um obstáculo ao crescimento brasileiro em 2027.

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