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Roberta Leitão questiona prorrogação da votação após derrota de Flávio Bolsonaro

Ex-vereadora do PL afirmou à Rádio CDN sentir injustiça e descrença nas instituições; TSE confirmou reeleição de Lula no segundo turno

Redação SM Agora5 min de leituraWhatsAppFacebook
Urna eletrônica durante processo de votação e apuração das eleições presidenciais
Urna eletrônica durante processo de votação e apuração das eleições presidenciais · Foto: smorazanm / Pixabay (Licença Pixabay)

A ex-vereadora de Santa Maria e integrante do Partido Liberal (PL) Roberta Leitão questionou a condução do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 após Luiz Inácio Lula da Silva ser reeleito presidente da República. Em entrevista à Rádio CDN, repercutida pelo Diário de Santa Maria, ela afirmou sentir “muita injustiça” e “descrença nas instituições” diante do resultado nacional, que deu a vitória ao candidato do PT contra Flávio Bolsonaro, do PL.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos. O resultado foi anunciado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, na noite de domingo (25).

Em Santa Maria, porém, o desempenho dos candidatos foi diferente do resultado nacional. De acordo com levantamento publicado pelo Diário de Santa Maria com base nos dados eleitorais, Flávio Bolsonaro terminou o segundo turno à frente, com 81.900 votos, ou 51,66% dos válidos. Lula alcançou 76.629 votos, correspondentes a 48,34%. A vantagem do candidato do PL no município foi de 5.271 votos.

Crítica ao horário de votação

O principal ponto levantado por Roberta Leitão foi a prorrogação do horário de votação em locais onde eleitores ainda estavam nas filas depois das 17h. A decisão foi atribuída ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e determinou a continuidade do processo apenas nas seções em que a votação não havia terminado no horário previsto.

A ex-vereadora criticou o momento e a abrangência da medida. Na avaliação apresentada durante a entrevista, a decisão teria criado insegurança entre eleitores, mesários e servidores da Justiça Eleitoral. Ela também questionou se o STF teria competência para interferir na condução de uma eleição, atribuição exercida pela Justiça Eleitoral.

O TSE informou, em nota divulgada no domingo, que a votação continuaria somente nos locais ainda em funcionamento e que o recebimento dos Boletins de Urna e a totalização dos votos seriam retomados depois das 19h. Boletins de Urna são os registros emitidos pelas urnas eletrônicas ao fim da votação, com a quantidade de votos de cada candidato naquela seção.

Em balanço posterior, o presidente do TSE afirmou que a liminar do STF exigiu adaptações nos sistemas e nas rotinas de apuração. Segundo Kassio Nunes Marques, milhares de urnas já haviam sido encerradas quando a decisão foi comunicada, o que impediu a reabertura desses equipamentos e provocou acúmulo temporário de arquivos para processamento.

Questionamento sem dados apresentados

Durante a conversa com a Rádio CDN, Roberta disse que não estava contestando diretamente os números divulgados pela apuração. Ela defendeu, contudo, uma análise dos efeitos da extensão do horário de votação para verificar se a medida teve alguma influência sobre o resultado final.

A integrante do PL não apresentou dados que demonstrassem alteração da votação em razão das duas horas adicionais. O Diário de Santa Maria registrou que as afirmações foram feitas como avaliação política da entrevistada e não comprovam, por si só, irregularidades na campanha ou no processo eleitoral.

O TSE confirmou a vitória de Lula com os números nacionais da totalização. No balanço divulgado após o encerramento da apuração, o tribunal também informou que o segundo turno teve 128,2 milhões de eleitores presentes às urnas e abstenção aproximada de 19,2%. A corte afirmou ainda que 1.551 das 499.248 urnas utilizadas precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% do total.

Santa Maria teve resultado diferente do país

A votação em Santa Maria ajuda a explicar a reação política local ao resultado nacional. Embora Lula tenha vencido a eleição para presidente em todo o país, Flávio Bolsonaro foi o mais votado no município. Conforme os dados publicados pelo Diário de Santa Maria, o candidato do PL ampliou sua votação entre o primeiro e o segundo turno, mas Lula cresceu em ritmo maior.

No primeiro turno, Flávio recebeu 75.209 votos em Santa Maria, enquanto Lula teve 63.618. A diferença inicial era de 11.591 votos. No segundo turno, Flávio chegou a 81.900 votos, acréscimo de 6.691. Lula passou a 76.629, com aumento de 13.011 votos. Assim, a distância caiu para 5.271 votos.

A cidade teve 162.693 eleitores comparecendo ao segundo turno, contra 158.051 na primeira etapa. As abstenções diminuíram de 49.064 para 44.362. Também houve redução nos votos brancos, de 3.510 para 2.037, e nos nulos, de 2.538 para 2.127.

O resultado foi dividido entre as duas zonas eleitorais que abrangem o município. Na 135ª Zona Eleitoral, Flávio Bolsonaro obteve 42.664 votos, contra 38.082 de Lula. Na 41ª, a disputa foi mais equilibrada: Flávio teve 39.236 votos e Lula, 38.547.

PL ainda não informou se contestará resultado

Questionada sobre uma eventual contestação formal do resultado pelo PL ou por Flávio Bolsonaro, Roberta Leitão afirmou que ainda não tinha essa informação. Ela disse que não faria uma previsão sem confirmação sobre uma possível medida judicial.

A declaração mantém em aberto a posição oficial do partido e do candidato derrotado sobre o resultado nacional. Até o momento relatado na entrevista, a crítica apresentada por Roberta estava concentrada na decisão sobre o horário de votação e na necessidade de examinar seus efeitos, sem indicação de dados capazes de demonstrar mudança na totalização.

A ex-vereadora também mencionou a reação de apoiadores de Flávio Bolsonaro. Segundo seu relato pessoal, o sentimento predominante entre as pessoas com quem conversou era de insatisfação e desconfiança em relação às instituições. Ela evitou prever a possibilidade de manifestações e afirmou que considerava o episódio uma questão institucional, além da disputa entre grupos políticos.

Para Santa Maria, o resultado deixa um contraste: o município preferiu Flávio Bolsonaro, enquanto a maioria dos eleitores brasileiros escolheu Lula. A diferença local, entretanto, foi menor do que a registrada no primeiro turno, quando o candidato do PL tinha vantagem superior a 11 mil votos. A eventual apresentação de recursos ou pedidos de contestação deverá ser informada oficialmente pelo partido, pelo candidato ou pelos órgãos da Justiça Eleitoral.

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