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Debate reacende relato sobre acidente que fez Lula perder o dedo aos 17 anos

Presidente se opôs à referência de Flávio Bolsonaro aos “9 dedos” e voltou a narrar o acidente ocorrido em uma metalúrgica, em 1964

Redação SM Agora5 min de leituraWhatsAppFacebook
Prensa industrial em ambiente de fábrica, representando o acidente de trabalho relatado por Lula em 1964.
Prensa industrial em ambiente de fábrica, representando o acidente de trabalho relatado por Lula em 1964. · Foto: 12995263 / Pixabay (Licença Pixabay)

A perda do dedo mínimo da mão esquerda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou ao debate político depois do confronto entre candidatos à Presidência exibido pela TV Globo na sexta-feira (23.out.2026). Durante uma discussão sobre o poder de compra dos trabalhadores, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que Lula “dá com uma mão e tira com os 9 dedos” o salário mínimo. O presidente reagiu, disse que não aceitaria ser tratado dessa forma e relembrou que sofreu o acidente quando tinha 17 anos e trabalhava no período noturno.

Segundo o Poder360, Lula perdeu parte do dedo em 1964, quando atuava como torneiro mecânico na Metalúrgica Independência. O acidente aconteceu durante a operação de uma prensa transversal, equipamento usado para pressionar e moldar peças metálicas. Na ocasião, o presidente ainda era um jovem trabalhador e exercia uma atividade industrial que exigia o manuseio direto de máquinas e componentes pesados.

O episódio ganhou nova dimensão durante o debate porque a referência ao número de dedos foi usada em uma discussão sobre salário mínimo e condições de vida dos trabalhadores. A fala de Flávio Bolsonaro foi interpretada por usuários das redes sociais como uma associação pejorativa com uma deficiência física. O termo capacitismo é usado para definir preconceito ou discriminação contra pessoas com deficiência, inclusive quando suas capacidades são subestimadas ou quando uma característica corporal é usada para desqualificá-las.

Acidente aconteceu durante reparo em prensa

Em entrevista ao podcast PodPah, em 2022, Lula contou que a Metalúrgica Independência produzia botões para cofres e puxadores de portas. De acordo com o relato reproduzido pelo Poder360, um dispositivo da prensa havia quebrado. O então operário fabricou um parafuso para substituir a peça e foi instalá-lo enquanto outro funcionário operava a máquina.

Na versão apresentada pelo presidente, o operador teria se distraído por um instante e soltado a mão que mantinha o equipamento sob controle. A prensa fechou quando Lula ainda estava com a mão na área de trabalho. Ele disse que conseguiu puxá-la e abriu a mão no momento do impacto, o que teria limitado a lesão ao dedo mínimo.

O presidente também avaliou que, com os recursos médicos disponíveis atualmente, talvez uma parte do dedo pudesse ter sido preservada. Essa avaliação foi apresentada por Lula como uma comparação entre as condições de atendimento daquela época e as possibilidades existentes hoje, sem que o material informe detalhes clínicos sobre o procedimento realizado em 1964.

Atendimento demorou algumas horas, segundo relato

Lula já havia contado a história em uma entrevista ao Programa do Jô, em 2002, quando disputava a Presidência pela quarta vez. Na ocasião, afirmou que o acidente ocorreu por volta das 3h e que só conseguiu atendimento médico às 7h. O relato também mencionou as limitações enfrentadas por trabalhadores pobres que dependiam do sistema público de saúde então vinculado ao Instituto Nacional de Previdência Social, o INPS.

Ainda segundo a entrevista citada pelo Poder360, o presidente afirmou que o médico poderia ter mantido uma pequena parte do dedo, mas optou por retirar o segmento inteiro. A informação sobre o atendimento é uma lembrança pessoal de Lula, e o material não apresenta prontuário, laudo ou documento médico que detalhe a lesão e a cirurgia.

A experiência também teve efeito na forma como ele lidava com o próprio corpo. Lula disse que sentia vergonha da ausência do dedo e tentava esconder as mãos. Entre as estratégias mencionadas, estavam evitar o uso de aliança para não chamar atenção e andar frequentemente com a mão fechada. O depoimento mostra que o acidente não foi apenas um episódio profissional, mas também uma experiência que afetou sua relação social e pessoal com a deficiência.

Reação nas redes sociais e pedido de desculpas

Após o debate, usuários do X criticaram a fala de Flávio Bolsonaro e passaram a chamá-lo de capacitista. A hashtag #SomosTodos9Dedos também ganhou visibilidade na plataforma. Segundo o Poder360, a mobilização foi impulsionada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e alcançou a quinta posição entre os assuntos mais comentados da rede social.

No palco do debate, Lula afirmou que não permitiria ser chamado de “9 dedos” e disse que conhecia o mundo do trabalho por ter perdido o dedo enquanto trabalhava à noite. Na mesma intervenção, declarou que Flávio Bolsonaro nunca havia trabalhado e cobrou uma retratação. O senador respondeu que não pretendia ofendê-lo e pediu desculpas.

O material do Poder360 não informa se a discussão alterou posições eleitorais, influenciou pesquisas ou produziu alguma consequência institucional para os candidatos. Também não há indicação de medida específica para Santa Maria a partir do episódio. Para os leitores do município, a repercussão se relaciona principalmente ao debate nacional sobre acidentes de trabalho, deficiência e o uso de características físicas em disputas políticas.

O que o episódio recoloca em discussão

A controvérsia reabriu uma história que Lula conta publicamente há décadas, mas em um contexto eleitoral diferente: a fala surgiu durante uma disputa sobre renda e poder de compra, temas diretamente ligados à vida dos trabalhadores. O acidente de 1964 passou a ser usado como elemento de confronto político, enquanto o presidente o apresentou como parte de sua trajetória profissional.

A reação nas redes sociais ampliou a discussão para além da troca de acusações entre os candidatos. O caso colocou em evidência como pessoas com deficiência podem ser retratadas no discurso público e quais são os limites de uma provocação política baseada em uma característica corporal. O material consultado não registra novas declarações de entidades especializadas nem uma manifestação oficial sobre capacitismo relacionada ao debate.

Para Santa Maria, não foi divulgado nenhum serviço, mudança de regra ou ação local associada ao caso. O principal efeito informado é a repercussão política e digital de um episódio ocorrido há 62 anos, que voltou ao centro da campanha presidencial após uma referência feita no debate da TV Globo.

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