Instituto São José deixará de oferecer Ensino Médio em Santa Maria em 2027
Cerca de 220 estudantes deverão ser transferidos; Ensino Fundamental seguirá no prédio sob gestão municipal

O Instituto São José não oferecerá mais turmas do Ensino Médio em Santa Maria a partir de 2027. A mudança deverá atingir aproximadamente 220 estudantes matriculados atualmente no 9º ano do Ensino Fundamental e no 1º e no 2º ano do Ensino Médio, conforme informações divulgadas pelo Diário de Santa Maria. A instituição atribui a decisão à não renovação do acordo que permitia a cedência de professores da rede estadual. O Ensino Fundamental continuará funcionando no local, com atendimento sob responsabilidade da prefeitura.
A Associação Instituto São José informou, em nota pública reproduzida pelo Diário, que os alunos do Ensino Médio terão vagas asseguradas na rede estadual. A 8ª Coordenadoria Regional de Educação (8ª CRE) também afirmou que há vagas disponíveis para receber os estudantes, tanto para quem ingressará no 1º ano quanto para aqueles que precisarão continuar no 2º ou no 3º ano.
A medida encerra uma etapa da trajetória escolar oferecida pelo Instituto, mas não representa o fechamento da unidade. Segundo o Diário, a escola atende cerca de 600 alunos, divididos entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. A instituição oferece do 6º ao 9º ano e avalia ampliar o atendimento para os anos iniciais do Ensino Fundamental.
Como funcionava a parceria
O Instituto São José mantém acordos com o município e com o governo do Estado para viabilizar a oferta educacional. De acordo com o administrador Alexandro Miola, entrevistado pelo Diário, o modelo prevê que as redes públicas cedam professores, enquanto a instituição fica responsável pela administração do espaço e pelos custos de funcionamento, como água, energia elétrica, manutenção, limpeza e equipe administrativa.
A continuidade da parceria estadual foi dificultada pela falta de professores na própria rede pública. Segundo Miola, o Estado passou a ter mais dificuldade para disponibilizar profissionais ao Instituto porque enfrenta déficit de docentes em suas escolas. A instituição também considerou a existência de vagas na rede estadual e as limitações relacionadas à remuneração dos professores cedidos.
Sem a renovação do acordo, a direção concluiu que não teria condições financeiras e operacionais para manter o Ensino Médio. A decisão foi comunicada aos pais dos estudantes dessa etapa na sexta-feira, 23 de outubro, o que provocou reação entre as famílias.
A Associação Instituto São José é mantida pela Mitra Diocesana, conforme o material divulgado pelo Diário. A unidade também depende dos convênios públicos para organizar parte de sua estrutura de ensino. No início de 2026, a instituição foi alvo de uma denúncia encaminhada ao Ministério Público envolvendo cobranças e acordos com a rede pública. Depois disso, foi criado um grupo de trabalho para discutir alternativas para a continuidade das atividades.
Mudança preocupa famílias
A transferência para outras escolas provoca preocupação entre pais e responsáveis. As famílias citam possíveis impactos na rotina, na adaptação dos adolescentes e na manutenção dos vínculos criados ao longo dos anos com colegas e professores.
Valdileia Pietro, de 41 anos, mãe de um estudante do 1º ano do Ensino Médio, afirmou ao Diário que a preocupação não se limita à existência de vagas. Para ela, a mudança também envolve a qualidade do ensino, o processo de adaptação e a interrupção do plano de concluir a última etapa da educação básica com a mesma turma.
Kelen Moretti, de 42 anos, também relatou apreensão. A filha, de 13 anos, está no 8º ano e deverá concluir o Ensino Fundamental no Instituto antes de buscar uma vaga para o Ensino Médio. A mãe disse ao Diário que não tem condições de arcar com uma escola particular e teme a transferência para a rede estadual.
Os pais planejavam realizar uma manifestação em frente ao Instituto São José nesta segunda-feira, 26 de outubro, às 18h30min. A mobilização foi prevista para ocorrer durante uma reunião com famílias dos alunos do Ensino Fundamental. A proposta era que os participantes usassem roupas pretas como forma de demonstrar insatisfação com o fim das turmas de Ensino Médio.
O que dizem Estado e município
O coordenador da 8ª CRE, José Luis Viera Eggres, explicou ao Diário que o acordo não foi renovado por causa da atualização das regras aplicáveis às parcerias. Segundo ele, o convênio previa a cedência de professores estaduais em troca do atendimento a estudantes excedentes da rede pública.
Com as novas exigências legais, a manutenção do acordo passou a depender de critérios como a inscrição dos alunos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) ou a inexistência de vagas na rede estadual. Também seria necessário garantir alimentação escolar, uniforme e material didático gratuitos.
Ainda conforme Eggres, atualmente não há excedente de estudantes nas escolas estaduais. O Instituto, por sua vez, avaliou que não teria condições financeiras de cumprir todas as exigências. Por isso, a parceria não seguirá em 2027. O coordenador reforçou que o Estado não é proprietário do Instituto e que a relação entre as partes é baseada em um acordo de cooperação.
A 8ª CRE informou que está orientando as famílias sobre as alternativas para a continuidade dos estudos. Além das vagas na rede estadual, escolas particulares e confessionais teriam oferecido descontos aos responsáveis interessados nessas opções.
Ensino Fundamental continuará no prédio
A partir de 2027, o Ensino Fundamental continuará sendo oferecido nas dependências do Instituto São José, sob gestão municipal. O município deverá locar o prédio e assumir integralmente o atendimento dessa etapa, segundo as informações divulgadas no material do Diário de Santa Maria.
A reunião com os pais dos estudantes do Ensino Fundamental estava marcada para esta segunda-feira, às 18h30min, no auditório da instituição. Na ocasião, a prefeitura deveria apresentar a continuidade do atendimento e a possibilidade de ampliar o número de vagas, inclusive com oferta em tempo integral.
A reorganização altera a divisão de responsabilidades entre as redes de ensino. Conforme o material, a prefeitura é responsável pela Educação Infantil e atua no Ensino Fundamental em colaboração com o Estado. Já o Ensino Médio é atribuição da rede estadual. Com o fim da parceria, os estudantes atualmente vinculados ao Instituto precisarão escolher uma nova escola para concluir essa etapa.
Até o momento, não foram divulgados os nomes das escolas que receberão cada turma, o cronograma individual de transferências nem os procedimentos específicos para matrícula. As famílias devem acompanhar as orientações da 8ª CRE, da instituição e da Secretaria Municipal de Educação.
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