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UFSM abre graduação inédita em segurança cibernética com 40 vagas

Curso presencial do CTISM terá três anos de duração e ingresso pelo PSS, Vestibular e Sisu

Redação SM Agora5 min de leituraWhatsAppFacebook
Estudantes em um laboratório de informática com computadores e servidores utilizados em atividades de segurança cibernéticaImagem meramente ilustrativa
Estudantes em um laboratório de informática com computadores e servidores utilizados em atividades de segurança cibernética · Imagem meramente ilustrativa

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) abriu inscrições para a nova graduação em Segurança Cibernética, oferecida pelo Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM). O curso terá três anos de duração, aulas durante o dia, formato totalmente presencial e 40 vagas. A formação será distribuída entre o Processo Seletivo Seriado (PSS), o Vestibular e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

A proposta atende ao aumento da procura por profissionais capazes de proteger redes, sistemas e informações digitais. Segundo a UFSM, a criação da graduação também considera o avanço da inteligência artificial (IA), que amplia as possibilidades de trabalho tecnológico, mas exige cuidados adicionais no uso de dados e ferramentas conectadas à internet.

Como será o ingresso na graduação

A seleção seguirá os processos regulares da Universidade. Serão 16 vagas pelo PSS, 12 pelo Vestibular e outras 12 pelo Sisu. As regras de distribuição e de reserva de vagas por cotas obedecerão aos critérios definidos pela UFSM em cada modalidade.

De acordo com a instituição, as inscrições para o PSS podem ser feitas até 3 de novembro. Já o prazo para o Vestibular termina em 16 de novembro. Informações complementares sobre o curso, o processo de seleção e a organização acadêmica estão disponíveis no site oficial da graduação.

A oferta foi estruturada no âmbito do Programa Universidades Transformadoras, iniciativa do Ministério da Educação voltada à revisão curricular e estrutural das instituições de ensino superior. O programa trabalha com três eixos: inovação, inclusão e estratégia.

Formação criada a partir de demandas do mercado

Segundo Renato de Azevedo, coordenador da graduação, a elaboração do curso começou depois de discussões com empresas de Santa Maria e da região, entidades de classe e organizações de outras partes do país. O levantamento foi realizado antes da definição do currículo e apontou a necessidade de ampliar a formação específica em segurança cibernética.

A UFSM também considerou a estrutura já existente no CTISM e a disponibilidade de professores. A nova graduação substitui uma turma de Redes de Computadores que oferecia 80 vagas, parte delas sem ocupação. Com a mudança, o curso de Redes foi encerrado para dar lugar a uma turma de Segurança Cibernética com 40 vagas e, em grande parte, o mesmo corpo docente.

A equipe responsável pelo projeto pedagógico analisou graduações e formações relacionadas ao tema no Brasil e no exterior. Foram observadas experiências dos Estados Unidos, Canadá, Portugal e Alemanha para definir as disciplinas e as competências esperadas de estudantes que ingressam após o ensino médio.

A expectativa apresentada pelo coordenador é que a graduação seja a primeira de uma universidade pública da Região Sul do Brasil dedicada especificamente à área. A UFSM também pretende ampliar a cooperação com a Universidade do Minho, em Portugal, que oferece pós-graduação em segurança cibernética. A parceria poderá criar caminhos para que os futuros formados continuem os estudos.

Ataques simulados e proteção de sistemas

O currículo combinará conteúdos teóricos de redes de computadores com atividades práticas voltadas à proteção de sistemas. A previsão é que pelo menos metade da carga horária das disciplinas específicas seja dedicada a exercícios práticos. Em algumas matérias, a proporção deverá ser ainda maior.

Entre os conteúdos estão segurança ofensiva e segurança defensiva. Na primeira frente, os alunos estudarão como vulnerabilidades podem ser identificadas e exploradas em ambientes controlados, reproduzindo situações de ataque sem colocar sistemas reais em risco. Na segunda, aplicarão esse conhecimento para desenvolver medidas de proteção e diminuir a possibilidade de invasões e vazamentos.

A lógica da formação é fazer com que o estudante compreenda o funcionamento de um ataque para reconhecer seus sinais e construir respostas. O coordenador Renato de Azevedo resume que o domínio técnico necessário para atacar também ajuda a entender como bloquear esse tipo de ação.

O CTISM está organizando um laboratório específico para as aulas práticas. O espaço terá computadores, servidores e estações de trabalho distribuídas em ilhas, permitindo a realização de exercícios de ataque e defesa em ambientes separados. Também estão previstos equipamentos para análise de redes sem fio e captura de sinais de radiofrequência, recursos que poderão ser usados na identificação de falhas em dispositivos e sistemas.

A graduação deverá incluir ainda atividades de extensão com empresas. A intenção é firmar acordos para que os estudantes façam análises de segurança em redes e sistemas reais, sempre com autorização formal. Conforme a UFSM, os convênios deverão proteger as organizações participantes e a Universidade, ao mesmo tempo em que aproximam a formação das situações encontradas no mercado.

Inteligência artificial e possibilidade de concluir antes

A inteligência artificial será abordada de forma transversal nas disciplinas. A ferramenta poderá auxiliar na análise de segurança e aumentar a produtividade, mas o curso também tratará dos riscos de compartilhar informações sensíveis com plataformas de IA. A proposta da UFSM é formar profissionais capazes de usar esses recursos com responsabilidade, sem substituir o conhecimento técnico necessário para avaliar resultados e tomar decisões.

Outro diferencial é o Programa de Verticalização. Estudantes que já tenham concluído cursos técnicos em áreas relacionadas poderão solicitar o aproveitamento de disciplinas e, dependendo da avaliação, concluir a graduação em menos de três anos.

A concessão não será automática. O aluno deverá passar por uma banca e realizar testes definidos conforme o conhecimento a ser comprovado. A avaliação poderá envolver uma prova ou um trabalho, por exemplo. Renato de Azevedo cita como possibilidade o aproveitamento de conhecimentos adquiridos em um curso técnico de informática, desde que a banca considere a formação suficiente.

Com a nova graduação, a UFSM amplia a oferta de cursos tecnológicos do CTISM e direciona parte de sua estrutura para uma área ligada à proteção de dados, redes e serviços digitais. Para quem pretende ingressar no ensino superior após o ensino médio, o próximo passo é verificar a modalidade de seleção adequada e observar os prazos divulgados pela Universidade.

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