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Meta restringe posts com supostos sinais de IA antes do 2º turno

Bloqueios temporários no Instagram e no Facebook atingem até publicações jornalísticas que não usaram inteligência artificial generativa

Redação SM Agora5 min de leituraWhatsAppFacebook
Celular exibe uma rede social com aviso de conteúdo temporariamente indisponível, em referência às restrições eleitorais para publicações associadas à inteligência artificial.
Celular exibe uma rede social com aviso de conteúdo temporariamente indisponível, em referência às restrições eleitorais para publicações associadas à inteligência artificial. · Foto: Tks4Fish / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, passou a restringir publicações no Brasil que apresentam sinais técnicos associados ao uso de inteligência artificial durante a reta final do segundo turno das eleições de 2026. A medida começou à 0h de quinta-feira (22) e ocorre por causa de uma regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas também alcança posts que, segundo os responsáveis, não foram criados nem alterados por IA generativa. As informações foram publicadas pelo Poder360.

Para usuários de Santa Maria e de outras cidades brasileiras, o efeito prático é a possibilidade de encontrar conteúdos temporariamente ocultos ou indisponíveis nas plataformas até o fim da noite de segunda-feira (26). A eleição presidencial está marcada para domingo (25), e a Meta informou que pretende manter as restrições até as 23h59 do dia seguinte ao encerramento do período previsto pelo TSE.

O que determina a regra eleitoral

A Resolução TSE nº 23.755/2026 alterou as regras de propaganda eleitoral e criou uma janela específica para impedir a circulação de novos conteúdos sintéticos envolvendo candidatos ou pessoas públicas. Conforme o texto oficial do tribunal, ficam proibidas a publicação, a republicação — mesmo sem pagamento — e o impulsionamento de materiais produzidos ou modificados por inteligência artificial que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou de pessoas públicas.

A restrição começou 72 horas antes da votação e se estende até 24 horas depois do término do pleito. Como a votação termina às 17h de segunda-feira (26), a regra alcança o período até as 17h daquele dia. A Meta, porém, comunicou que manterá a indisponibilidade dos conteúdos até as 23h59, no horário de Brasília.

O objetivo da norma é reduzir a circulação de montagens e falsificações justamente no período mais próximo da votação. Nessa fase, há menos tempo para checar a origem de um vídeo, de um áudio ou de uma imagem e para que autoridades, campanhas e veículos esclareçam eventuais manipulações.

A resolução não proíbe toda publicação eleitoral nem impede o uso de qualquer ferramenta de inteligência artificial. Notícias, entrevistas, fotografias reais e outros conteúdos jornalísticos sobre candidatos continuam fora de uma proibição geral. A regra também prevê exceções para ajustes destinados a melhorar a qualidade de imagem ou som e para a criação de elementos gráficos, como vinhetas e logomarcas.

Por que conteúdos sem IA podem ser atingidos

Segundo comunicado da Meta citado pelo Poder360, muitos programas de edição de fotos, vídeos e áudios incorporam aos arquivos sinais técnicos padronizados que registram o uso de recursos de inteligência artificial. Esses indicadores podem ser lidos automaticamente pelos sistemas da empresa.

A presença desse tipo de marcação, contudo, não comprova sozinha que uma publicação tenha uma imagem, uma voz ou uma fala fabricada. Um arquivo pode ter passado por um aplicativo que utiliza recursos automatizados apenas para edição, compressão, melhoria de som ou tratamento visual. Mesmo assim, o sistema pode identificar o conteúdo como associado à IA.

Essa diferença está no centro dos bloqueios relatados. A Meta adotou um mecanismo automático para cumprir a determinação eleitoral, mas a identificação técnica não necessariamente distingue um conteúdo sintético proibido de um material jornalístico que recebeu apenas tratamento de edição. A empresa não informou, no comunicado, se há revisão humana antes da retirada nem explicou detalhadamente como os casos são avaliados.

As publicações classificadas dessa maneira ficam temporariamente indisponíveis no Brasil. Isso não significa, necessariamente, exclusão definitiva. De acordo com a Meta, os posts deverão voltar a aparecer depois do prazo estabelecido para a restrição.

Casos relatados durante a eleição

O Poder360 informou que teve duas publicações atingidas pela medida. Uma delas era um vídeo com análise jornalística sobre a estratégia digital do deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal Exército do Lula no WhatsApp. O material foi recuperado após contestação, mas voltou a ser restringido posteriormente.

O segundo caso envolvia uma reportagem sobre uma garrafa de whisky Macallan 1945 avaliada em aproximadamente R$ 500 mil. Segundo o conteúdo publicado pelo veículo, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria procurado a bebida para presentear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O post usava informações jornalísticas e imagens reais, sem inteligência artificial generativa, mas ficou oculto para usuários.

Também houve a retirada temporária, na quinta-feira (22), de um vídeo do projeto jornalístico Revelando, apresentado pelo cantor MC Cabelinho. O material, intitulado “Flavinho de Papai”, tratava da trajetória profissional e política de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência.

Os responsáveis pelo projeto negaram o uso de inteligência artificial na produção ou na finalização do vídeo. Eles afirmaram que utilizaram imagens ilustrativas de bancos de imagens e contestaram a classificação do material como propaganda eleitoral. O vídeo voltou a ficar disponível no Instagram horas depois.

O que o usuário deve observar

A situação pode afetar o acesso a vídeos, imagens e publicações jornalísticas nas plataformas da Meta durante o período de maior atenção sobre o segundo turno. Em Santa Maria, isso significa que conteúdos compartilhados por veículos, campanhas, comentaristas ou usuários podem deixar de aparecer temporariamente mesmo quando não há confirmação pública de que tenham sido produzidos por IA.

A empresa ainda não detalhou quais sinais técnicos provocam o bloqueio, se existe uma etapa obrigatória de análise humana ou quais procedimentos devem ser usados para reverter uma restrição considerada indevida. O Poder360 informou que procurou a Meta para obter esclarecimentos sobre os critérios, a revisão das decisões automáticas e os mecanismos de contestação, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.

Enquanto durar a medida, a indisponibilidade de uma publicação não permite concluir, por si só, que o conteúdo seja falso ou que tenha sido produzido artificialmente. Também não significa que o material tenha sido removido de forma definitiva. A previsão divulgada pela Meta é de normalização da visibilidade no Brasil após as 23h59 de segunda-feira (26), salvo outras decisões ou medidas aplicáveis ao caso.

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