PF vai apurar oferta reduzida de ônibus no 1º turno das eleições em Santa Maria
Empresas admitem ter rodado com cerca de 40% das linhas de dia útil. No 2º turno, domingo (25), haverá tabela de domingo com reforço em horários de pico

A Polícia Federal (PF) vai investigar se as empresas de transporte coletivo de Santa Maria descumpriram o decreto municipal que exigia, no primeiro turno das eleições, a mesma oferta de ônibus de um dia útil. De acordo com o Diário de Santa Maria, os representantes das operadoras reconheceram, em reunião nesta segunda-feira (19) no Ministério Público (MP), que a regra não foi cumprida por completo. Segundo a Associação dos Transportadores Urbanos (ATU), circularam cerca de 40% das linhas que operam em dias úteis.
Para o segundo turno, marcado para este domingo (25), ficou acertado que os ônibus vão seguir a tabela normal de domingo. Haverá veículos extras nos horários de maior procura, das 9h às 11h e das 12h às 13h30min, principalmente nas linhas que atendem Camobi.
Documentos foram enviados à PF
Publicado pela prefeitura em 1º de outubro, o decreto determinava que as operadoras colocassem nas ruas o mesmo número de veículos e horários compatíveis com os itinerários de dias úteis. Mesmo assim, no dia da votação, 4 de outubro, a reportagem do Diário flagrou ônibus parados em uma garagem do transporte municipal. A Promotoria também recebeu queixas de passageiros sobre a demora. Em Camobi, houve relatos de esperas de mais de uma hora e meia.
A promotora Cinthia Menezes Rangel informou que já enviou à PF os documentos recebidos sobre a operação. Caberá à PF verificar se houve descumprimento das regras e se os fatos podem ser enquadrados como crime. "Ocorreu, em tese, a prática dos delitos dos artigos 297 e 304", afirmou. Os dois artigos do Código Penal tratam de falsificação de documento público e de uso de documento falso. Não foi divulgado a quais documentos a suspeita se refere.
Segundo a promotora, assim que recebeu as primeiras reclamações, ela procurou o prefeito e a Secretaria de Transporte. As empresas foram notificadas ainda naquele domingo e, de acordo com ela, a situação foi corrigida. No dia seguinte à votação, o MP enviou uma recomendação às operadoras.
ATU fala em problema pontual e cobra ressarcimento
Participaram do encontro o prefeito Rodrigo Decimo (PSD), os secretários municipais Rui Fabrin e Guilherme Cortez, além de representantes das empresas e da ATU. Edmilson Gabardo, da diretoria da associação, apresentou os números da entidade. Em dias úteis, o sistema leva cerca de 60 mil passageiros. No domingo da eleição, foram cerca de 18 mil, e 87% deles usaram os ônibus entre 7h e 17h. O pico foi entre 9h e 10h, com cerca de 2 mil usuários.
Ainda segundo a ATU, foram feitas 800 viagens, e seis delas tiveram movimento acima do habitual. Gabardo atribuiu as dificuldades a um problema pontual em Camobi e disse que a operação será repetida no segundo turno, com um ônibus a mais nos horários que tiveram problema.
O presidente da ATU, Luiz Fernando Maffin, garantiu que a oferta vai atender toda a demanda. A entidade pediu que a prefeitura compense as empresas pelos gastos com a gratuidade no dia da votação, o que inclui o pagamento em dobro aos funcionários escalados no domingo. Gabardo estimou o custo da operação em R$ 350 mil. A associação argumenta que a resolução federal não define quem deve pagar pelo serviço. A prefeitura disse que já negocia com as operadoras para conseguir os recursos.
Serviço: a grade de horários do segundo turno, com as linhas que terão reforço, ainda será divulgada pela prefeitura. A ideia é que os eleitores possam se organizar antes e evitar longas esperas nas paradas.
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