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Risco de paralisação dos ônibus segue em Santa Maria após reunião sem acordo

Prefeitura e ATU não chegaram a entendimento. Passageiros já enfrentaram paralisações, aumento da tarifa e ameaça de corte de horários

Redação SM Agora3 min de leituraWhatsAppFacebook
Ônibus do transporte coletivo urbano circulando por uma rua da cidade, com passageiros esperando na parada
Ônibus do transporte coletivo urbano circulando por uma rua da cidade, com passageiros esperando na parada · Foto: HVL / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Quem depende de ônibus em Santa Maria continua sem garantia de que o serviço vai funcionar normalmente. Uma reunião entre a prefeitura e a Associação dos Transportadores Urbanos (ATU) terminou sem acordo, e o risco de paralisação do transporte coletivo continua, segundo o colunista Deni Zolin, do Diário de Santa Maria. O SM Agora não teve acesso à data do encontro, aos participantes nem às propostas discutidas.

A disputa envolve o subsídio que o município repassa às empresas de ônibus. A conta da operação vem sendo motivo de conflito entre as concessionárias, a prefeitura e os trabalhadores do setor pelo menos desde o fim de 2025.

O que muda para quem usa ônibus

Nos últimos meses, o impasse já afetou os passageiros de várias formas, de acordo com reportagens do Diário de Santa Maria:

  • Paralisações: em uma paralisação parcial, 150 funcionários cruzaram os braços e 110 ônibus ficaram parados, segundo a ATU. Depois, uma paralisação total deixou a cidade sem transporte coletivo por mais de sete horas.
  • Ameaça de corte de horários: em dezembro de 2025, a ATU pediu para reduzir o serviço em 35%, com menos horários. A própria entidade classificou a medida como "extrema". O Conselho Municipal de Transportes se posicionou contra.
  • Tarifa mais cara: a passagem, que custava R$ 6,50, subiu para R$ 7,25 no pagamento em dinheiro. A prefeitura justificou o reajuste como forma de evitar uma nova paralisação. Em maio de 2025, a tarifa técnica, que reflete o custo do serviço por passageiro, tinha sido calculada em R$ 7,65. O DCE da UFSM reagiu, deu prazo para a prefeitura recuar e ameaçou fazer uma paralisação estudantil.
  • Risco de parar tudo: a ATU já alertou que as distribuidoras podem cortar o fornecimento de combustível se as empresas não pagarem. "Se não honrarmos com os fornecedores, o crédito é cortado. E aí para tudo", afirmou o presidente da entidade, Luiz Fernando Maffini, em dezembro.

Ainda não se sabe se a nova ameaça vem de uma greve dos trabalhadores, de corte de horários pelas empresas ou de falta de recursos para manter a frota rodando. Também não foi informado se há data para uma eventual paralisação.

Como a disputa chegou até aqui

Em dezembro de 2025, Maffini descreveu o transporte coletivo como "uma situação extremamente delicada". Na época, a ATU afirmava que a prefeitura devia R$ 12,5 milhões em subsídio referentes a 2025. Uma matéria do Diário apontava que, segundo indicação da própria prefeitura, faltariam R$ 15 milhões em subsídio. As empresas diziam não ter dinheiro para pagar o 13º salário e o tíquete-alimentação dos funcionários, que venciam em 20 de dezembro.

No dia 18 daquele mês, uma reunião no Ministério do Trabalho terminou em impasse. O governo municipal não apresentou solução, e o sindicato dos trabalhadores não descartou greve. Em nota, a prefeitura afirmou que a questão envolvia a relação entre empresas e trabalhadores e que os valores do subsídio ainda estavam sendo calculados. Depois da paralisação total, o prefeito Rodrigo Decimo (PSD) informou que a Secretaria da Fazenda tinha empenhado, ou seja, reservado para pagamento, R$ 2 milhões de subsídio.

Também está pendente a licitação do transporte coletivo. Em março, segundo o Diário do Transporte, a Justiça deu à prefeitura prazo até 26 de junho de 2026 para lançar a concorrência. A situação atual do processo não foi divulgada.

O SM Agora segue acompanhando o caso e vai informar qualquer mudança nos horários ou na circulação dos ônibus.

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