Risco de paralisação dos ônibus segue em Santa Maria após reunião sem acordo
Prefeitura e ATU não chegaram a entendimento. Passageiros já enfrentaram paralisações, aumento da tarifa e ameaça de corte de horários

Quem depende de ônibus em Santa Maria continua sem garantia de que o serviço vai funcionar normalmente. Uma reunião entre a prefeitura e a Associação dos Transportadores Urbanos (ATU) terminou sem acordo, e o risco de paralisação do transporte coletivo continua, segundo o colunista Deni Zolin, do Diário de Santa Maria. O SM Agora não teve acesso à data do encontro, aos participantes nem às propostas discutidas.
A disputa envolve o subsídio que o município repassa às empresas de ônibus. A conta da operação vem sendo motivo de conflito entre as concessionárias, a prefeitura e os trabalhadores do setor pelo menos desde o fim de 2025.
O que muda para quem usa ônibus
Nos últimos meses, o impasse já afetou os passageiros de várias formas, de acordo com reportagens do Diário de Santa Maria:
- Paralisações: em uma paralisação parcial, 150 funcionários cruzaram os braços e 110 ônibus ficaram parados, segundo a ATU. Depois, uma paralisação total deixou a cidade sem transporte coletivo por mais de sete horas.
- Ameaça de corte de horários: em dezembro de 2025, a ATU pediu para reduzir o serviço em 35%, com menos horários. A própria entidade classificou a medida como "extrema". O Conselho Municipal de Transportes se posicionou contra.
- Tarifa mais cara: a passagem, que custava R$ 6,50, subiu para R$ 7,25 no pagamento em dinheiro. A prefeitura justificou o reajuste como forma de evitar uma nova paralisação. Em maio de 2025, a tarifa técnica, que reflete o custo do serviço por passageiro, tinha sido calculada em R$ 7,65. O DCE da UFSM reagiu, deu prazo para a prefeitura recuar e ameaçou fazer uma paralisação estudantil.
- Risco de parar tudo: a ATU já alertou que as distribuidoras podem cortar o fornecimento de combustível se as empresas não pagarem. "Se não honrarmos com os fornecedores, o crédito é cortado. E aí para tudo", afirmou o presidente da entidade, Luiz Fernando Maffini, em dezembro.
Ainda não se sabe se a nova ameaça vem de uma greve dos trabalhadores, de corte de horários pelas empresas ou de falta de recursos para manter a frota rodando. Também não foi informado se há data para uma eventual paralisação.
Como a disputa chegou até aqui
Em dezembro de 2025, Maffini descreveu o transporte coletivo como "uma situação extremamente delicada". Na época, a ATU afirmava que a prefeitura devia R$ 12,5 milhões em subsídio referentes a 2025. Uma matéria do Diário apontava que, segundo indicação da própria prefeitura, faltariam R$ 15 milhões em subsídio. As empresas diziam não ter dinheiro para pagar o 13º salário e o tíquete-alimentação dos funcionários, que venciam em 20 de dezembro.
No dia 18 daquele mês, uma reunião no Ministério do Trabalho terminou em impasse. O governo municipal não apresentou solução, e o sindicato dos trabalhadores não descartou greve. Em nota, a prefeitura afirmou que a questão envolvia a relação entre empresas e trabalhadores e que os valores do subsídio ainda estavam sendo calculados. Depois da paralisação total, o prefeito Rodrigo Decimo (PSD) informou que a Secretaria da Fazenda tinha empenhado, ou seja, reservado para pagamento, R$ 2 milhões de subsídio.
Também está pendente a licitação do transporte coletivo. Em março, segundo o Diário do Transporte, a Justiça deu à prefeitura prazo até 26 de junho de 2026 para lançar a concorrência. A situação atual do processo não foi divulgada.
O SM Agora segue acompanhando o caso e vai informar qualquer mudança nos horários ou na circulação dos ônibus.
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