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Santa Maria registra primeiro feminicídio de 2026 e região chega a cinco casos

Mulher de 37 anos foi morta a facadas no Nova Santa Marta; segundo a Polícia Civil, ela tinha medida protetiva contra o ex-companheiro

Redação SM Agora4 min de leituraWhatsAppFacebook
Fita de isolamento em uma área externa durante uma investigação policial, representando a apuração de um feminicídio em Santa Maria
Fita de isolamento em uma área externa durante uma investigação policial, representando a apuração de um feminicídio em Santa Maria · Foto: Imagens SM / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Santa Maria registrou, nesta quinta-feira (5), o primeiro feminicídio de 2026. Uma mulher de 37 anos foi morta a facadas dentro da própria residência, no Bairro Nova Santa Marta, segundo informações divulgadas pelo Diário de Santa Maria. Com o caso, chega a cinco o número de mulheres naturais da região mortas em crimes investigados como feminicídios neste ano.

De acordo com a Polícia Civil, a vítima tinha uma medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro. O homem teria tentado falar com ela várias vezes ao longo do dia e, após recusas, invadido a casa. A mulher foi atingida por pelo menos quatro golpes, no peito e no abdômen. Familiares, incluindo a filha, as irmãs e a mãe da vítima, estavam no imóvel no momento do ataque.

A investigação ficará sob responsabilidade da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). Até a publicação das informações pelo Diário de Santa Maria, não haviam sido divulgados detalhes sobre a prisão ou a situação processual do suspeito.

O que ocorreu no Nova Santa Marta

Segundo o relato publicado pelo Diário de Santa Maria, o crime aconteceu durante a tarde desta quinta-feira. A dinâmica inicial indica que o ex-companheiro foi até a residência para tentar conversar com a mulher. Diante da negativa, ele teria entrado à força e utilizado uma faca contra a vítima.

A existência de uma medida protetiva torna o caso ainda mais grave. Esse tipo de decisão judicial pode estabelecer restrições de contato e de aproximação para proteger uma pessoa ameaçada. No caso de Santa Maria, a Polícia Civil deverá apurar as circunstâncias do descumprimento da medida, a sequência dos acontecimentos e a responsabilidade criminal do investigado.

A classificação como feminicídio depende da apuração policial e da análise do Ministério Público e da Justiça. O termo é usado quando a morte de uma mulher ocorre em contexto de violência doméstica e familiar ou por menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Neste caso, as autoridades tratam o assassinato como feminicídio desde a investigação inicial.

Cinco mortes investigadas na região

O caso de Santa Maria é o quinto registrado entre mulheres naturais da região em 2026, conforme o levantamento do Diário de Santa Maria. Antes disso, quatro mortes haviam sido investigadas como feminicídios em municípios do Rio Grande do Sul.

Em janeiro, uma mulher de 31 anos, natural de São Gabriel, foi morta com pelo menos 10 facadas dentro de casa, no Bairro Alvorada, em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ela trabalhava como bombeira civil e técnica em segurança do trabalho. A principal linha de investigação apontou que o crime poderia estar relacionado à não aceitação do fim do relacionamento. A vítima deixou um filho de 10 anos, segundo o Diário de Santa Maria.

Em 17 de fevereiro, uma mulher de 26 anos, também natural de São Gabriel, foi morta com um tiro em Cacequi. O assassinato ocorreu poucas horas depois de ela obter uma medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro. Conforme a Polícia Civil, o homem já havia sido intimado da decisão judicial antes do disparo e foi preso após se apresentar à polícia. A vítima deixou um filho pequeno.

O terceiro caso ocorreu em 18 de setembro, em São Gabriel. Uma mulher de 37 anos foi morta com golpes de faca em via pública, no Bairro São Gregório, durante um processo de separação. Um homem foi preso em flagrante pela Brigada Militar e passou a ser investigado. A hipótese inicial da Polícia Civil era de que o crime teria relação com ciúmes. A vítima e o investigado tinham três filhos.

Caso em Itacurubi ocorreu no feriado

Na tarde de 2 de novembro, feriado de Finados, uma mulher de 64 anos foi morta a tiros pelo companheiro, de 66 anos, na zona rural de Itacurubi. De acordo com o material publicado pelo Diário de Santa Maria, o homem teria cometido suicídio por enforcamento logo depois.

O caso é tratado como feminicídio e será investigado pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Santiago. Até a divulgação das informações, não havia sido esclarecida a motivação do crime. Também não havia registro de medida protetiva de urgência contra o companheiro.

Investigação deve esclarecer responsabilidades

A sequência de casos reúne situações distintas: mortes após separações, suspeitas relacionadas a ciúmes, uso de armas brancas e de fogo e ocorrências nas quais havia medidas protetivas recentes ou em vigor. Esses elementos, porém, ainda precisam ser analisados individualmente pelas autoridades responsáveis.

No caso de Santa Maria, a Deam deverá reunir depoimentos, perícias e demais elementos para reconstruir o ataque ocorrido no Nova Santa Marta. A presença de familiares na residência poderá ser considerada na apuração, assim como a existência da medida protetiva e as supostas tentativas de contato feitas pelo ex-companheiro.

O Diário de Santa Maria informou que o crime desta quinta-feira é o primeiro feminicídio registrado em Santa Maria neste ano. O levantamento regional, por sua vez, considera mulheres naturais da região, mesmo quando os crimes ocorreram em outros municípios, como Guaíba e Cacequi. A investigação de cada ocorrência segue sob responsabilidade das delegacias indicadas pelas autoridades.

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