Lula acusa Flávio Bolsonaro de deixar o país após derrota eleitoral
Presidente afirmou que senador deve ter “culpa na consciência”; destino nos Estados Unidos ainda não foi confirmado oficialmente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (27) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno da eleição presidencial, deixou o Brasil e deve ter “culpa na consciência”. A declaração foi dada durante um evento no Palácio da Alvorada, em Brasília, que marcou o aniversário de 81 anos do presidente. Até o momento, porém, não havia confirmação oficial sobre o trajeto completo do senador nem sobre sua entrada nos Estados Unidos.
A possível saída do país ocorre em meio a uma disputa judicial envolvendo Flávio Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF). Segundo o material publicado pelo G1 Política, o senador não apresentou o passaporte dentro do prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes. A entrega deveria ter sido feita até as 11h desta terça-feira.
Para os leitores de Santa Maria, o episódio tem reflexos principalmente no cenário político nacional. Não foi anunciada nenhuma medida específica relacionada ao município ou ao Rio Grande do Sul. O caso, no entanto, pode produzir novos desdobramentos judiciais e políticos porque envolve uma ordem do STF, uma investigação sigilosa e suspeitas sobre eventual saída do país.
Informações sobre o deslocamento ainda são parciais
A agência Reuters informou, segundo o G1, que Flávio Bolsonaro teria viajado para os Estados Unidos. O jornal norte-americano The New York Times divulgou informação semelhante, também com base em fontes não identificadas. O governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento de Estado, teria autorizado vistos para o senador e familiares, mas não esclareceu se ele já havia ingressado no território norte-americano.
Antes dessas informações, o jornal argentino Infobae havia noticiado que o senador poderia ter atravessado a fronteira entre Brasil e Argentina pela região de Puerto Iguazú. De acordo com essa versão, ele teria usado um documento de identidade para cruzar a fronteira.
Registros do site FlightRadar24 indicaram que uma aeronave saiu de Buenos Aires com destino a Puerto Iguazú e chegou ao município argentino às 23h45, no horário de Brasília. O acompanhamento aéreo apontava que o avião permanecia no local até então. O material do G1, contudo, não confirmava se Flávio estava a bordo nem se teria embarcado em outra aeronave para seguir viagem.
Na manhã de terça-feira, o controle de imigração argentino informou que não havia registro da entrada do senador no país. Com versões diferentes sobre o caminho percorrido, o destino final permanecia sem confirmação pública.
PF apontou risco de saída do Brasil
A Polícia Federal havia solicitado ao ministro Alexandre de Moraes medidas para impedir que Flávio Bolsonaro deixasse o território brasileiro. Entre os pedidos estavam a apreensão do passaporte e a proibição de saída do país.
Segundo a PF, existiam riscos considerados concretos e atuais de fuga. A corporação citou como um dos elementos a manifestação pública do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que teria defendido a saída de Flávio do Brasil em caso de derrota na disputa pelo Palácio do Planalto.
Outro ponto mencionado pelos investigadores foi a existência de estruturas no exterior que poderiam permitir uma permanência prolongada. A PF também citou a situação de Willer Tomaz, advogado investigado com Flávio em um inquérito sobre lavagem de dinheiro. Tomaz está em Miami desde agosto de 2026, depois de ser alvo da Operação Sem Desconto.
Ainda conforme o pedido da PF, Tomaz teria recursos financeiros suficientes para permanecer fora do Brasil por tempo indeterminado. A corporação também afirmou que Eduardo Bolsonaro mantém nos Estados Unidos uma estrutura preparada para uma permanência de longa duração.
Investigação envolve dinheiro e produção de filme
A decisão de Moraes está relacionada a um processo que apura a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. O caso, que tramita sob sigilo de Justiça, envolve suspeitas sobre empresas ligadas ao advogado e apostas esportivas.
O senador também é investigado em outro inquérito que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento da produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O material consultado não informa quais crimes foram formalmente atribuídos a Flávio nem aponta conclusão das investigações.
No pedido encaminhado ao STF, a PF mencionou ainda uma suspeita, ainda em apuração, de que recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro possam ter sido usados para manter a estrutura de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A hipótese aparece no contexto de repasses feitos por Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro.
Segundo o G1, Mineiro teria realizado sete transferências ao filme Dark Horse por meio do fundo Havengate, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Mineiro firmou acordo de delação premiada homologado pelo ministro André Mendonça, do STF, em setembro. Para obter eventuais benefícios, ele precisa colaborar com as investigações caso venha a ser condenado.
Próximos passos dependem das autoridades
A ausência do passaporte dentro do prazo determinado pode ser analisada no processo que tramita no STF. O material não informa, porém, qual medida foi adotada por Alexandre de Moraes depois do encerramento do prazo nem se houve nova ordem judicial contra o senador.
Também não havia confirmação pública sobre a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. A informação de que vistos seriam concedidos ao senador e à família não esclarece, por si só, se a viagem foi concluída ou qual será a permanência deles fora do Brasil.
A declaração de Lula ocorreu no mesmo dia em que circularam as primeiras notícias sobre a possível saída do senador. Ao dizer que Flávio teria “culpa na consciência”, o presidente comentou um episódio que combina derrota eleitoral, medidas cautelares e investigações ainda em andamento. Até que os órgãos responsáveis confirmem o deslocamento e eventuais decisões judiciais, parte do trajeto permanece baseada em relatos de fontes e registros de monitoramento, e não em uma confirmação oficial completa.
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