Morte de agricultor em São Pedro do Sul segue sem causa esclarecida
Polícia Civil aguarda laudo do IGP para esclarecer se homem morreu de causa natural e teve o corpo consumido por animais ou sofreu outro tipo de violência

A Polícia Civil ainda não sabe como morreu o agricultor de 69 anos encontrado na sexta-feira (23) às margens de um açude, na localidade de Passo do Barroso, no interior de São Pedro do Sul. O corpo estava parcialmente dentro da água e apresentava ausência da cabeça, de órgãos internos e de outras partes. Até esta terça-feira (27), a investigação trabalhava principalmente com a possibilidade de uma morte natural, seguida pelo consumo do cadáver por animais, mas não descartava completamente outras hipóteses. O esclarecimento depende do laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que realizou a necropsia.
A informação foi apresentada pelo delegado Giovanni Lovato em entrevista à Rádio CDN. Segundo ele, não havia, nos primeiros levantamentos, elementos que confirmassem homicídio ou ataque de onça-parda. A declaração de óbito registrou causa indeterminada, e a Polícia Civil de São Pedro do Sul aguarda o resultado oficial da perícia para definir os próximos passos.
Investigação considera morte natural como hipótese inicial
De acordo com Lovato, o agricultor pode ter sofrido um mal súbito e morrido enquanto permanecia exposto em uma área de mato, próxima ao açude. Nesse cenário, animais teriam se aproximado posteriormente e consumido parte do corpo. A polícia considera essa possibilidade porque não identificou, até o momento, sinais claros de agressão ou de confronto.
O delegado informou que não foram observados ferimentos aparentes nos braços e nas pernas que pudessem indicar uma tentativa de defesa. O crânio também não apresentava, conforme as informações repassadas à investigação, sinais visíveis de fraturas ou lesões nos ossos. A equipe ainda não encontrou pegadas características de animais de grande porte nas imediações do local.
A ausência desses indícios não encerra a apuração. Segundo a Polícia Civil, o exame pericial poderá apontar se havia lesões compatíveis com uma reação de defesa ou marcas que ajudem a distinguir uma morte provocada por violência de uma morte ocorrida antes da ação da fauna.
Corpo foi encontrado após desaparecimento temporário
O agricultor morava sozinho e era solteiro. Familiares disseram à polícia que ele havia sido visto pela última vez na tarde de quarta-feira (21), quando comentou que estava sem água em casa por causa de um problema na bomba. Na sexta-feira, o corpo foi localizado parcialmente dentro da água, com dois galões nas proximidades.
A partir dessas circunstâncias, os investigadores consideram que ele pode ter deixado a residência para buscar água. Na casa, os policiais encontraram a porta trancada por fora e uma torneira aberta. Esses elementos foram registrados na apuração, mas ainda não permitem concluir o que ocorreu entre a saída do imóvel e a localização do corpo.
As pernas estavam dentro da água. A região do peito e da barriga havia sido amplamente consumida, e, segundo o delegado, não foram localizados órgãos internos nem as costelas. Restaram parte das costas e a coluna vertebral. A condição do cadáver tornou mais difícil estabelecer a causa da morte por meio da análise visual e aumentou a dependência dos exames técnicos.
Ataque de onça não foi confirmado
A possibilidade de um ataque de onça-parda ganhou força entre familiares e em publicações nas redes sociais, mas não foi comprovada pela investigação. Lovato afirmou que não havia, até a entrevista concedida à Rádio CDN, sinais suficientes para atribuir a morte a esse tipo de animal.
O delegado também explicou que um ataque de fauna de grande porte poderia produzir outros vestígios, como o arraste do corpo ou marcas de mordidas em regiões com maior quantidade de carne e gordura. No entanto, a ausência de um padrão conclusivo não permite afirmar que nenhum animal tenha participado do caso. A dúvida central é se a fauna apenas se alimentou do cadáver depois da morte ou se houve uma ação que contribuiu para a morte do agricultor.
Essa distinção depende do laudo do IGP. A perícia poderá ajudar a verificar a existência de traumatismos, lesões ou outros sinais que não sejam perceptíveis apenas durante o exame inicial do local. Como parte dos órgãos não foi encontrada, o próprio delegado reconheceu que a análise de possíveis problemas internos, como uma alteração cardíaca, ficou prejudicada.
Homicídio continua sob apuração
A hipótese de homicídio não foi totalmente retirada da investigação. Até o momento, porém, a Polícia Civil não recebeu informações sobre ameaças, conflitos ou outros fatos que apontassem para uma motivação contra o agricultor. Também não foram divulgados elementos que relacionem terceiros à morte.
Segundo Lovato, a descoberta de lesões de defesa ou de outros sinais de violência poderia mudar a direção do inquérito. Caso o laudo não indique agressão, a investigação tende a seguir com a hipótese de morte natural seguida pela ação de animais. A causa oficial, contudo, permanece pendente da perícia.
O corpo foi encaminhado ao IGP na sexta-feira e passou por necropsia. O irmão do agricultor e um vizinho já prestaram depoimento. A Delegacia de Polícia de São Pedro do Sul continua responsável pelo caso e deve avaliar o laudo assim que o documento for concluído e enviado às autoridades.
Para os moradores de Santa Maria e da região, o caso chama atenção pela dificuldade de identificar a origem da morte quando o corpo é encontrado em área rural e apresenta danos provocados após o óbito. A investigação precisa reunir informações do local, relatos de familiares e testemunhas, além dos resultados médico-legais. Até que esses dados sejam analisados, não há confirmação de ataque de onça, homicídio ou qualquer outra causa específica.
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