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Quatro réus são condenados por chacina com três mortos em Santa Maria

Penas variam de 74 a 98 anos em regime fechado; defesa de dois condenados informou que pretende recorrer

Redação SM Agora4 min de leituraWhatsAppFacebook
Imagem ilustrativa de um julgamento criminal, com documentos e ambiente de tribunal.
Imagem ilustrativa de um julgamento criminal, com documentos e ambiente de tribunal. · Foto: qimono / Pixabay (Licença Pixabay)

Sentença após júri popular

Quatro homens foram condenados a penas de 74 a 98 anos de prisão pela chacina que matou três pessoas nas proximidades do campo do Esporte Clube Cerro Azul, no Bairro Chácara das Flores, em Santa Maria. A sentença foi publicada pela Justiça nesta segunda-feira (26), após um júri popular realizado entre a manhã de quinta-feira (22) e a madrugada de sexta-feira (23). Todos deverão cumprir as penas em regime fechado.

A decisão foi proferida pela juíza Bárbara Mendes de Sant’Anna. Conforme informações publicadas pelo Diário de Santa Maria, Jeferson Rodrigues do Nascimento recebeu a maior pena: 98 anos, 11 meses e dois dias de reclusão. Vinícius Silva dos Santos foi condenado a 91 anos, 10 meses e 11 dias; Valdenir Lopes de Lima, a 87 anos, oito meses e sete dias; e Deivid Pereira Machado, a 74 anos, seis meses e 15 dias.

O julgamento começou às 8h30min de quinta-feira e terminou por volta das 2h de sexta-feira. O processo trata de uma sequência de crimes ocorrida no feriado de 15 de novembro de 2019, na região norte do município.

Ataque ocorreu perto de campo de futebol

Segundo a investigação da Polícia Civil, cinco homens chegaram ao local em um Hyundai HB20 e fizeram diversos disparos contra as vítimas. O ataque ocorreu próximo ao campo do Esporte Clube Cerro Azul, no Bairro Chácara das Flores. Três pessoas morreram na ação.

Após os homicídios, o grupo teria fugido, ameaçado moradores e roubado um Ford Escort durante a tentativa de escapar. A fuga terminou depois que policiais militares abordaram os suspeitos. Houve troca de tiros, três deles ficaram feridos e foram encaminhados ao Hospital Universitário de Santa Maria (Husm).

Os cinco suspeitos foram presos naquela ocasião. Conforme o relato da apuração policial divulgado pelo Diário de Santa Maria, um fuzil, pistolas e revólveres foram apreendidos com o grupo.

Na época, o delegado Gabriel Zanella, então titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, afirmou que a principal linha investigativa apontava para uma disputa entre facções criminosas. De acordo com essa hipótese, uma das vítimas seria o alvo inicial, enquanto as outras duas teriam sido atingidas por estarem próximas.

Acusações incluíram crimes durante a fuga

Além dos três homicídios, o processo reuniu acusações relacionadas ao confronto com a Brigada Militar e ao roubo do veículo. Os investigados foram indiciados por três homicídios triplamente qualificados, seis tentativas de assassinato, receptação, roubo, porte ilegal de armas de uso permitido e restrito e associação criminosa.

As seis tentativas de homicídio mencionadas na investigação envolveram os três policiais que participaram da prisão e os três ocupantes do Ford Escort roubado, conforme o material publicado pelo Diário de Santa Maria.

A expressão “homicídio triplamente qualificado” indica que, segundo a acusação acolhida no processo, cada morte teria envolvido três circunstâncias que agravam juridicamente o crime. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri, instituição responsável por analisar crimes dolosos contra a vida, quando há intenção atribuída ao autor.

No júri popular, os jurados decidem se os acusados são culpados ou inocentes. Depois, cabe à magistrada estabelecer a pena com base no resultado do julgamento e nos critérios previstos na legislação. Foi nesse procedimento que as quatro condenações foram definidas.

Quinto réu morreu em 2024

O processo também envolvia um quinto réu, Leandro Matheus da Costa Insauralde. Ele morreu em 12 de setembro de 2024, aos 25 anos, após ser baleado em uma via pública de Porto Alegre.

Até a publicação da sentença, não havia informação atualizada sobre a investigação desse homicídio, segundo o material de origem. A morte ocorreu antes do júri popular realizado em outubro de 2026 e, por isso, a decisão publicada nesta segunda-feira trata apenas dos quatro réus que permaneceram submetidos ao julgamento.

O caso chegou à fase de sentença quase sete anos depois do ataque ocorrido em Santa Maria. O material divulgado não informa se houve mudança na situação prisional dos condenados após a decisão nem apresenta detalhes sobre eventual recurso já protocolado.

Defesa pretende recorrer da decisão

Os advogados Leonardo Sagrillo Santiago, que representa Valdenir Lopes de Lima, e Christiano Pretto, defensor de Deivid Pereira Machado, informaram que não se manifestariam sobre a sentença naquele momento.

A advogada Valéria Brondani, que representa Jeferson Rodrigues do Nascimento e Vinícius Silva dos Santos, afirmou que pretende recorrer. A defesa considerou as penas injustas e disse que apresentará recurso contra a decisão. A advogada também havia representado o quinto réu antes da morte dele.

Com a publicação da sentença, cada um dos quatro condenados passou a ter uma pena individual definida pela Justiça. Eventuais recursos poderão levar a decisão a uma nova análise do Judiciário, conforme as regras do processo penal. Até que haja determinação diferente, permanece o regime fechado estabelecido na sentença.

No material divulgado pelo Diário de Santa Maria, a chacina é descrita como o assassinato de três ou mais pessoas em um mesmo evento, local ou sequência direta de ações praticadas pelos mesmos executores. O crime ocorreu em uma área próxima a um campo de futebol do Bairro Chácara das Flores e envolveu, além das mortes, acusações de roubo, associação criminosa e uso ilegal de armas.

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