quarta-feira, 28 de outubro de 2026--°
SM.Agora
Política

Sessão da Câmara termina em agressão entre vereadores no Norte do RS

Discussão começou durante críticas a falas feitas em reunião anterior; um dos parlamentares registrou ocorrência na Polícia Civil

Redação SM Agora4 min de leituraWhatsAppFacebook
Plenário de uma câmara municipal durante sessão legislativa, com vereadores reunidos em seus lugares
Plenário de uma câmara municipal durante sessão legislativa, com vereadores reunidos em seus lugares · Foto: Fábio Martins - Câmara Municipal de Juazeiro, Bahia / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Uma discussão entre dois vereadores terminou em agressões físicas durante a sessão da Câmara de Campos Borges, no norte do Rio Grande do Sul, na segunda-feira (26). O episódio ocorreu no plenário, foi transmitido ao vivo pelo Legislativo e levou ao encerramento da reunião. Segundo informações divulgadas pelo Diário de Santa Maria, o vereador Ivo Tiaraju Borba (MDB) registrou uma ocorrência na Polícia Civil contra Adriano Nogueira (PDT), após relatar ferimentos na cabeça e no pescoço.

A confusão começou quando Borba ocupava a tribuna para contestar declarações atribuídas a Nogueira durante a sessão anterior. No meio do pronunciamento, Nogueira interrompeu o colega, levantou-se e lançou um copo de água em sua direção. Depois disso, os dois trocaram socos e tapas diante dos demais parlamentares.

O presidente da Câmara, Mateus Carvalho Merlin (PL), pediu ordem e tentou controlar a situação. Outros vereadores também intervieram para separar os envolvidos, mas a briga prosseguiu até que os parlamentares fossem contidos. Com o tumulto, a sessão foi encerrada.

Discussão começou na tribuna

De acordo com o Diário de Santa Maria, Borba, que já presidiu a Câmara, criticava o conteúdo de falas feitas por Nogueira em uma reunião anterior. O parlamentar afirmou que o colega teria usado palavras de baixo calão durante o uso da chamada tribuna livre, espaço destinado à manifestação no plenário.

Na gravação da sessão, Borba disse que considerava as declarações incompatíveis com o respeito esperado dentro do Legislativo. Em manifestação enviada ao g1, ele afirmou que defendia o debate democrático, o diálogo, o respeito e a ética no exercício do mandato. Também declarou que não havia um desentendimento prévio entre os dois vereadores.

A sequência registrada pela transmissão oficial mostra que a discussão deixou o campo verbal depois da interrupção feita por Nogueira. O arremesso do copo foi seguido pelo confronto físico, que ocorreu na presença dos outros integrantes da Câmara.

Vereador relata ferimentos e registra ocorrência

Após a briga, Borba procurou a Polícia Civil e registrou uma ocorrência contra o colega, conforme as informações publicadas pelo Diário de Santa Maria com base em dados divulgados pelo g1. O vereador relatou ter sofrido lesões na região da cabeça e do pescoço.

O registro policial formaliza a versão apresentada pelo parlamentar e poderá integrar a apuração sobre o caso. O material divulgado não informa quais medidas foram adotadas pela Polícia Civil depois da ocorrência nem se houve instauração de inquérito.

Nogueira também se manifestou por meio de uma nota encaminhada ao g1. O vereador reconheceu que perdeu o controle durante a discussão, mas afirmou que o episódio teria sido precedido por provocações em sessões anteriores.

Na versão apresentada por Nogueira, sua reação ocorreu enquanto defendia moradores que, segundo ele, não estariam sendo atendidos por razões político-partidárias. O parlamentar reafirmou o compromisso com a comunidade e disse que pretende continuar exercendo o mandato em defesa dos interesses da população.

Câmara anuncia apuração interna

Depois do encerramento da sessão, a Câmara Municipal de Campos Borges publicou uma nota oficial assinada pelo presidente Mateus Carvalho Merlin. O documento classificou o episódio como lamentável e afirmou que divergências políticas devem ser tratadas com respeito mútuo, civilidade e observância da ordem institucional.

A presidência também declarou que o Legislativo é um espaço destinado ao debate democrático e à livre manifestação do pensamento. Ao mesmo tempo, destacou que agressões físicas ultrapassam os limites do exercício do mandato parlamentar.

Segundo a nota, a Câmara adotará providências regimentais, administrativas e legais para apurar o que ocorreu e avaliar eventual responsabilização dos envolvidos. O procedimento deverá respeitar o devido processo legal e assegurar o direito à ampla defesa.

Na prática, isso significa que a análise não ficará restrita ao vídeo da sessão ou ao registro policial. A Câmara poderá avaliar o comportamento dos vereadores segundo as regras internas do Legislativo e encaminhar as medidas cabíveis conforme o resultado da apuração. O material divulgado, porém, não detalha quais procedimentos já foram iniciados nem estabelece prazo para uma conclusão.

O que o episódio representa para o Legislativo

A ocorrência expõe os limites entre a liberdade de manifestação no plenário e as regras de convivência institucional. Vereadores podem apresentar críticas, questionar decisões e defender posições políticas durante as sessões, mas o debate deve seguir normas de respeito e funcionamento do órgão.

A própria presidência da Câmara afirmou que o decoro parlamentar, a transparência e a ética permanecem como compromissos da instituição. Decoro, nesse contexto, refere-se ao comportamento esperado de quem exerce um mandato público, incluindo postura compatível com a função e respeito ao espaço coletivo de decisão.

Para a população de Campos Borges, o caso ainda poderá ter consequências políticas e administrativas, dependendo da apuração anunciada pela Câmara e dos desdobramentos da ocorrência policial. Até o momento, as informações divulgadas apontam para duas versões sobre a origem do conflito: Borba afirma que fazia uma crítica em defesa da ética e do diálogo; Nogueira sustenta que reagiu após provocações anteriores e durante a defesa de moradores.

A sessão transmitida pelo Legislativo deverá ser um dos principais elementos para esclarecer a sequência dos acontecimentos. Enquanto isso, a Câmara informou que seguirá os procedimentos previstos e reafirmou que eventuais responsabilizações deverão ocorrer com respeito ao direito de defesa.

Encontrou um erro? Fale com a redação.

Leia também