UFSM avalia afastamento preventivo de dois estudantes investigados
Pedido à Procuradoria Jurídica envolve denúncias de ameaças de morte e manifestações discriminatórias; nomes não foram divulgados
Imagem meramente ilustrativaA Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) pediu à Procuradoria Jurídica um parecer sobre o afastamento cautelar de dois estudantes investigados por ameaças de morte e manifestações discriminatórias. A medida, caso seja autorizada, terá caráter preventivo e não representará suspensão ou expulsão dos alunos. As informações foram divulgadas pelo Diário de Santa Maria e confirmadas em notas oficiais da universidade.
Os nomes dos estudantes não foram divulgados. A solicitação ocorre enquanto as denúncias são apuradas em uma sindicância interna aberta pela instituição. A UFSM também encaminhou os materiais reunidos à Polícia Federal, conforme nota da Reitoria publicada em 27 de outubro de 2026.
Pedido ainda depende de análise jurídica
O afastamento solicitado pela universidade não está definido. Segundo o Diário de Santa Maria, a duração da eventual medida e a possibilidade de os estudantes cumprirem atividades acadêmicas de forma remota dependerão do parecer da Procuradoria Jurídica.
Na prática, o afastamento cautelar seria uma providência temporária para reduzir riscos durante a investigação. A medida não antecipa uma conclusão sobre a responsabilidade dos investigados e não substitui a apuração disciplinar. Também não equivale, neste momento, a uma punição como suspensão ou expulsão.
A universidade não informou, no material divulgado, quando o parecer será concluído nem qual será o período de eventual afastamento. Por isso, ainda não há definição pública sobre a rotina acadêmica dos dois estudantes ou sobre a necessidade de atividades remotas.
Sindicância reúne denúncias e materiais
De acordo com a Reitoria, as denúncias foram reunidas em uma sindicância interna. A comissão criada pela UFSM deverá examinar os fatos, identificar possíveis envolvidos, verificar se há vínculo com a universidade e ouvir as pessoas relacionadas ao caso.
A apuração administrativa tem como objetivo esclarecer a origem e o conteúdo das manifestações denunciadas. A universidade não divulgou os nomes dos investigados nem apresentou, no material fornecido, uma conclusão sobre a autoria das ameaças. Por essa razão, os estudantes são tratados como investigados, sem atribuição pública de responsabilidade definitiva.
Além da apuração interna, os materiais foram encaminhados à Polícia Federal. O envio permite que a autoridade policial avalie os fatos dentro de sua competência. A nota da UFSM não informou quais providências foram adotadas pela Polícia Federal nem se houve abertura de inquérito.
Ouvidoria recebeu 19 denúncias
Até 28 de outubro, a Ouvidoria da UFSM havia recebido 19 denúncias de intimidação com motivação político-partidária, segundo a GZH. O número indica que o episódio não se limita a uma única comunicação formal e que a universidade passou a concentrar diferentes relatos para análise institucional.
A GZH informou que as denúncias estavam relacionadas a intimidações de caráter político-partidário. O material disponível não detalha quantas delas mencionavam ameaças de morte, quantas tratavam de manifestações discriminatórias ou se todas foram incorporadas à mesma sindicância.
A diferença entre denúncia, investigação e responsabilização é central neste caso. A denúncia registra um relato que precisa ser verificado. A sindicância reúne documentos e depoimentos para esclarecer os acontecimentos. Somente depois da análise dos elementos e da conclusão dos procedimentos é possível definir eventuais responsabilidades e medidas administrativas, conforme o resultado da apuração.
Prints circularam em grupo atribuído à Agronomia
Também foram divulgadas capturas de tela atribuídas a um grupo de WhatsApp ligado a estudantes do curso de Agronomia. O Brasil de Fato relatou a circulação de mensagens consideradas ameaçadoras e de conteúdo de ódio. A UFSM e o Centro de Ciências Rurais repudiaram ameaças, violência e discriminação em manifestações oficiais.
O vínculo do grupo com estudantes do curso foi apresentado nas reportagens e notas citadas, mas a divulgação de prints, por si só, não encerra a apuração sobre autoria, contexto ou autenticidade das mensagens. Esses pontos estão entre os elementos que podem ser examinados pela comissão da universidade e pelas autoridades competentes.
Em nota conjunta, a direção do Centro de Ciências Rurais e a coordenação do curso de Agronomia se posicionaram contra ameaças e manifestações discriminatórias. A reação institucional alcança a comunidade acadêmica do centro, que deverá acompanhar os próximos passos da sindicância e do pedido de afastamento.
O que pode mudar para os estudantes
Se a Procuradoria Jurídica der parecer favorável e a universidade efetivar a medida, os dois estudantes poderão ser afastados preventivamente das atividades presenciais durante o período definido pela UFSM. Ainda não está decidido se haverá atividades remotas, nem por quanto tempo o afastamento poderia durar.
Para os demais estudantes e servidores, a principal mudança imediata é o reforço dos canais formais de apuração. A Ouvidoria já recebeu os relatos contabilizados até 28 de outubro, e a Reitoria mantém a investigação por comissão própria. A universidade também acionou a Polícia Federal com os materiais disponíveis.
Até a conclusão das apurações, não foram divulgados nomes dos investigados, decisão final da sindicância ou eventual responsabilização disciplinar. O caso permanece sob análise jurídica, administrativa e policial, com a UFSM afirmando que ameaças, violência e discriminação não serão toleradas no ambiente universitário.
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